segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Otaku : O filho do Virtual


 




Otaku: Os filhos do virtual

 

 

 

Comprei esse livro por indicação do ótimo blog sobre anime, mangá e cultura japonesa em geral Sushi Pop. O livro é uma reportagem investigativa do jornalista francês Étienne Barral sobre o que ele chama do nascimento do Homo virtuens.

O livro coloca os otakus no contesto de uma sociedade rica e altamente competitiva como a japonesa. O autor parece se sensibilizar com alguns otakus, mas também aponta alguns defeitos como não querer melhorar a aparência e não se esforçar para ter amigos.

Por outro lado, ele consegue ver que muitos otakus são artistas genuinamente talentosos. Em um dos capítulos é descrita uma escultura inspirada em Devielman que impressionou bastante o autor pelos detalhes. Outro caso é do colecionador de bonecas que reproduz com perfeição a cerimônia do chá, criando uma boneca muito delicada.

O autor também dá a entender que as paródias criadas pelos otakus seria um ato de rebeldia contra o sistema que tenta impor seus gostos, mas o otaku estabelece o próprio gosto quando produz seu fanzine (doujinshin), sua maquete ou boneca.

O senhor Barral também faz um breve comentário sobre o Yaoi/BL que é um tipo de mangá erótico/pornográfico envolvendo relações homossexuais entre homens voltado para o público feminino heterossexual. Também existem mangás e fanzines para homossexuais masculinos e são chamados de Bara.

E nada tem a ver com o fã militante de Twitter, que na verdade é fã de militância e não das obras em si.

O autor também faz um paralelo interessante sobre a relação entre a mãe e o filho na sociedade japonesa e mostra como o pai é quase um desconhecido para a criança. Ainda na visão do autor há uma relação quase doentia com essa mãe, algo um pouco diferente do complexo de Édipo ocidental.

O capítulo sobre a Comicket, a maior feira de fanzines(doujinshin) é muito interessante. Nele, o senhor Barral explica que até o final dos anos 90, apenas amadores participavam dessa feira e como as grandes empresas detentoras das obras forçaram a participação no evento.

O autor cita o caso de uma autora de Yaoi/BL que foi processada criminalmente por comercializar as histórias dela sobre personagens de videogame.

Entretanto notei que o senhor Barral deu muita ênfase ao lado erótico da criação otaku. Mas também não poupa críticas à sociedade japonesa, que segundo ele reprime violentamente o individuo em detrimento do grupo e relata caso terríveis de Ijime, o Bullying japonês. Um dos casos me lembrou muito um episódio de Além da Imaginação que eu já comentei aqui, chamado O Exame e um conto de George Orwell, se não me engano se chama Para matar um elefante.

Nos últimos capítulos o autor entra em detalhes de outro caso que deixou os otakus malvistos pelos japoneses em geral, o ataque com o gás sarin no metrô de Tóquio.

 

O senhor Barral conta em detalhes como a mídia explorou o caso e como a seita ganhou garotas adolescentes como fãs e até chegou a ter material sobre a seita vendido na Comicket.

 

Eis uma pequena dica de livro muito interessante para fãs e não fãs de animação japonesa e afins.

 


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